Depois de dez, 'Nove'

O primeiro CD (homônimo) de Ana Carolina saiu do forno em 1999. Dez anos depois, ela está prestes a iniciar uma turnê do álbum intitulado Nove (Sony Music), que tem nove faixas, a partir do dia 9 de setembro (mês 9). Um DVD, porém, planejado para ficar pronto ainda este ano, pode adiar o início dos shows, mas não os planos da cantora juizforana, que recebeu a Tribuna em sua casa no Jardim Botânico, no Rio. Fico tão focada na parte artística, que não acompanho muito a agenda. Mas adoraria apresentar este trabalho em Juiz de Fora, dispara Ana Carolina, sem saber, ainda, onde levará os novos sucessos, todos assinados por ela, reunidos no álbum produzido pelo trio Mário Caldato, Kassin e Alê Siqueira.Completando uma década de carreira na Cidade Maravilhosa, Ana Carolina apostou em participações internacionais no disco, como a italiana Chiara Civello, que coassina Traição, 8 estórias, 10 minutos e Resta. Dos Estados Unidos, Esperanza Spalding empresta sua pegada jazzística à Traição, enquanto John Legend completa o duo com letra e voz para a suingada Entreolhares, primeira música de trabalho do CD, que já se encontra disponível nas lojas.Encerrar um ciclo e iniciar outro não parece ser obstáculo para Ana Carolina, que segue entre as maiores compositoras do país, sem deixar seu romantismo para trás. O que pode ser conferido em versos como Eu já não sei respirar / Quando estou ao lado seu / Juro que me falta ar, de Resta. Afinal de contas, Ana Carolina é uma artista que não esconde que ama. E nem pretende parar de falar de amor.Tribuna - Em Dois quartos, seu penúltimo CD, você toca baixo e faz um som mais pesado. Qual é a cara de Nove?Ana Carolina - Se vai ser mais balada ou mais rock?n?roll eu nunca sei, só faço as canções. Em Nove a suavidade reinou porque tem baladas como ?Dentro? e Traição, em que eu canto de uma maneira mais minimalista.- O samba continua reinando também?- Depois que eu fiz Cabide para a Mart?nália, fiquei mais à vontade para persistir e criar canções do estilo. Então fiz o samba ?Torpedo?, que ficou três meses sem letra, e eu resolvi mandar para o Gilberto Gil, achando que era a cara dele. Em dois dias, ele me mandou a letra. Já o outro samba, Tá rindo, é?, é uma parceria com Mombaça e Antonio Villeroy. Este (ultimo) é uma espécie de Erasmo (Carlos) para mim.- Como foi trabalhar com Chiara Civello?- Chiara assina comigo ?Traição? e ?Resta?, uma balada que mistura música brasileira e italiana. Depois, a gente fez ?10 minutos? e ?8 estórias?, uma canção ficcional, em que todo mundo pergunta se eu fiquei com aquelas oito meninas, mas não é nada disto. O mais engraçado é que a versão da Chiara, em italiano, fala de meninos, enquanto eu quero falar das mulheres.- E com os americanos?- Para Traição, eu chamei Esperanza Spalding, uma cantora muito popular no jazz americano, que toca baixo e canta na faixa. Teve também John Legend, que sempre fui fã, mas não conhecia, na faixa ?Entreolhares? que fiz com Antonio Villeroy.- Apesar de mais coeso, Noveseria seu trabalho mais consistente?- O lado autoral está vindo cada vez mais com força, e as pessoas me pedem música. Maria Bethânia foi a primeira pessoa que gravou uma música minha, ?Pra rua me levar?, e logo me pediu outra, Eu que não sei quase nada do mar, que fiz com Jorge Vercilo. Comecei a compor para as pessoas, e isso é um ponto muito importante. Uma coisa é você ser uma cantautora, que fica mostrando o que é seu mas não contribui com outros intérpretes. É preciso assinar, deixar sua marca.- Antes de gravar Ana Carolina (1999), seu primeiro CD, você mostrava seu som em Juiz de Fora. Como foi este início de carreira, em que você dividia os palcos com a Faculdade de Letras na UFJF?- Eu lembro de muitas pessoas da cidade, como Luizinho Lopes, que foi o primeiro cara que me chamou a atenção para a composição. Ele tinha aquela atitude de chegar e cantar as canções dele, sem tocar um cover. Que legal poder afirmar: sou compositor, e olha aqui minhas letras. Gosto muito das meninas do Lúdica Música!, que, inclusive, abriram um show meu em Belo Horizonte. Tive o prazer de dividir o palco com nomes como Knorr, Adilson Santos, Dudu Lima - um grande baixista -, Alex Scio, Tânia Bicalho, Marcela Lobo, Cristiane Vicentin e Salim.- Novos talentos de Juiz de Fora, como a Myllena, têm buscado seu lugar ao sol, muitas vezes inspiradas em você. Qual seria o caminho?- A Myllena é maravilhosa. É uma grande promessa para Juiz de Fora, pois tem presença e compõe bem. O principal para uma cantora é a composição. Tem que compor e ter o próprio texto.- E qual é a receita para alcançar a tonalidade certa?- É muito subjetivo. Gosto é o que se discute neste momento. Tem gente que faz uma canção harmonicamente sofisticada, e nem sempre ela é tão boa como uma de três acordes. Músicas simples, como as de amor, na qual tudo já foi dito, é muito difícil ser diferente. É mais fácil fazer uma canção complicada, que trate de um assunto diferente, que uma música simples que esboce o que já foi tratado. Pois é preciso tocar o outro, e isto só vale a pena quando nossa arte consegue se comunicar.- De cara, você emplacou o primeiro trabalho fonográfico, Ana Carolina, nas paradas de sucesso. Inclusive, faturou o Prêmio Multishow em 2000 na categoria revelação. Este foi seu divisor de águas?- O grande passo para mim foi ter uma canção deste disco numa novela. Muito mais que qualquer rádio AM ou FM. Rolou ainda uma comparação com a Cássia Eller no início, e sofri por causa disto, embora tenha sido uma honra. Eu gravei o disco morando em Juiz de Fora. Ficava em um hotel no Rio e voltava. Quando começou a dar certo, mudei para cá.Na ponta da línguaAna Carolina> Livro A elegância do ouriço, de Muriel Barbery CDAmoroso, de João Gilberto> Música Choro bandido, de Chico Buarque e Edu Lobo> PratoFeijão> SexoNa cama> AmorCompanheirismo> TraiçãoSem definição> Merece bisEu, Alcione e Maria Bethânia em Santo Amaro> NuncaJulgar> SempreAgir com o coração> Vai no epitáfioDesculpem a poeira
Fonte: Tribuna de Minas (12/08/09)

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